BANK OFAMERICA REBAIXA VALE E BTG PACTUAL ELEVA FIBRIA E SER EDUCACIONAL PDF Imprimir E-mail
Seg, 08 de Dezembro de 2014 00:00

Por Camila Maia e Daniela Meibak | De São Paulo

O Bank ofAmerica (BofA) rebaixou a recomendação para as ações da Vale para neutra e cortou o preço-alvo das ações para R$ 25,50. Ao mesmo tempo, o preço-alvo das ADRs, recibos de ações negociados na bolsa de Nova York, caiu para US$ 9,50.

Segundo o relatório do banco americano, há incertezas relacionadas aos preços do minério de ferro, que justificam as mudanças nas recomendações.

Os novos preços-alvo representam prêmio de cerca de 36,4% em relação ao fechamento da PNA da Vale da sexta-feira - de R$ 18,70 - e de 13,7% ante o preço de fechamento das ADRs em Nova York, de US$ 8,35, na quinta-feira.

O Bank ofAmerica reduziu também as suas projeções para os preços de minério de ferro, que devem tocar a faixa de US$ 60 por tonelada em 2015, no ponto mínimo. As ações de empresas que dependem desses preços devem permanecer pressionadas, "já que os investidores não têm confiança sobre onde está a mínima do preço", relatam analistas do BofA.

A revisão do preço do minério de ferro em 2015 caiu de US$ 80 por tonelada para US$ 70 por tonelada. Em 2016, o preço passou de US$ 80 para US$ 65, enquanto a projeção de longo prazo saiu de US$ 86 por tonelada para US$ 75 por tonelada.

Essas mudanças de valores refletiram a visão do banco de que o excesso de oferta permanecerá no mercado "por um tempo" antes de as reduções de capacidade acontecerem.

Os gastos de capital da Vale devem continuar se intensificando entre 2015 e 2016, com os ainda elevados investimentos e o pagamento previsto de US$ 2 bilhões em dividendos.

Além disso, o endividamento da companhia continuará crescendo, atingindo uma relação entre dívida líquida e Ebitda de três vezes em meados de 2016.

A recomendação das ações da Vale, na visão do Bank ofAmerica, não é de venda pois a companhia tem concorrentes em situação significativamente pior. Outros fatores que ajudam a empresa brasileira são o crescimento da produção em Carajás e a desvalorização do real, que significam custos operacionais menores. Além disso, o segmento de metais básicos também ajuda a proporcionar uma garantia de caixa para a empresa.

O BTG Pactual efetuou a revisão de duas companhias. Em uma delas, o banco elevou o preço-alvo para as ações da fabricante de celulose Fibria, de R$ 25 para R$ 32, refletindo as expectativas de aumento dos preços da celulose no mercado internacional e a queda do real na comparação com o dólar. O novo preço representa prêmio de 3,6% ante o preço de fechamento da semana passada, de R$ 30,90. Já a recomendação para os papéis continua em neutra.

O BTG Pactual participou de um evento promovido pela Fibria em Nova York na quinta-feira da semana passada com investidores e afirmou que deixou o local "convencido da capacidade do programa de administração de gastos da companhia".

Porém, na questão de eventuais fusões e aquisições, "depois de ouvirmos que 'os custos para fusões e aquisições são muito altos', estamos mais céticos sobre o potencial dessas transações para a Fibria, considerando as percepções conflituosas sobre valores entre os compradores e os vendedores", destacou o BTG em relatório.

O banco ressaltou ainda que os estoques de celulose da China estão baixos enquanto a demanda permanece forte, o que deve beneficiar a companhia brasileira.

Em outra revisão, o BTG Pactual elevou o preço-alvo para as ações do grupo de educação Ser Educacional de R$ 37 para R$ 39, com recomendação de compra. A empresa é a predileta do setor para o banco, com potencial de alta de mais de 35% em relação ao atual patamar do papel.

A casa de análise se reuniu com a direção da companhia e voltou com uma visão positiva sobre o crescimento da empresa e a integração da Universidade da Amazônia (Unama). Segundo a companhia, a Unama tem uma posição única no Estado do Pará, com uma marca bem reconhecida e um alto tíquete médio, o que significa que não compete diretamente com as operações de Maurício de Nassau, outro grupo universitário que atua na capital do Pará, adquirida pela Ser Educacional em 2008.

De acordo com o BTG, o diretor financeiro da companhia, Habib Bichara, afirmou que a integração da Unama está a todo vapor. "A Ser espera ter toda a integração dos sistemas de tecnologia, dos centros de serviços e da parte administrativa no primeiro semestre de 2015 e, simultaneamente, planeja implementar modelos acadêmicos", explica a equipe de analistas formada por Gustavo Cambauva, Rodrigo Gastim e João Carlos Santos.

A corretora atualizou suas estimativas para incorporar os resultados do terceiro trimestre e atualizações sobre a Unama. Como resultado, o BTG elevou as projeções de lucro por ação e Ebitda para 2015 em 4% e 5%, respectivamente.