MITSUI DEVE COMPRAR ATIVO DA VALE Imprimir
Seg, 08 de Dezembro de 2014 00:00

Por Francisco Góes | Do Rio

A Vale está na reta final de negociações para anunciar, em 17 de dezembro, no Rio, o acordo de venda de parte de sua atividade de carvão em Moçambique, na África, integrada por mina, ferrovia e porto. O mercado aposta que o principal candidato à compra é a trading japonesa Mitsui. Há estimativas de que a Vale pode levantar até US$ 2 bilhões com a transação. O jornal japonês "Nikkei" noticiou que a Mitsui planeja investir US$ 1,24 bilhão no negócio.

As negociações começaram há mais de um ano e, mais recentemente, os asiáticos, incluindo japoneses e chineses, passaram a ser vistos como potenciais compradores de fatia da área de carvão da Vale. Mitsui e Mitsubishi despontaram como candidatas ao acordo. São tradings que entendem desse mercado e possuem participações acionárias em várias minas de carvão, o que lhes dá direito a fatias de produção que comercializam. Mas como são concorrentes só parece haver espaço para uma delas no negócio com a Vale e, ao que tudo indica, a Mitsui chegou na frente.

Nos encontros com investidores em Nova York e Londres, semana passada, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, disse que só falaria sobre carvão dia 17. E indicou que a empresa vem trabalhando para fechar a transação nesse setor nas próximas semanas. Para a Vale, a entrada do novo sócio é oportuna já que a mineradora enfrenta cenário de maior restrição de caixa com a queda do preço do minério de ferro, seu principal produto. O componente caixa não era prioritário no começo da negociação, mas vai ser em 2015. Os japoneses podem aportar financiamento de baixo custo para o projeto de carvão, parte do qual foi realizado.

Segundo o "Nikkei", a Vale deve vender fatia entre 15% e 25% da mina de carvão de Moatize, em Moçambique, para a Mitsui. No mercado, comenta-se que a venda será de 15% por mais de US$ 400 milhões. O negócio inclui ainda metade dos 70% que a Vale tem no Corredor Nacala, formado por 912 quilômetros de ferrovia e por um porto. O Banco Japonês de Cooperação Internacional deve financiar parte da transação, disse o jornal.

A Vale vai ganhar um parceiro estratégico de longo prazo, capaz de aceitar prejuízo com a operação a curto prazo. E também um sócio que pode reforçar o apoio político em Moçambique. Este ano, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, visitou o país acompanhado de delegação de empresários. Moçambique tornou-se país estratégico para o Japão na África, considerando as reservas de carvão, petróleo e gás natural descobertas no país africano. Na visão de analistas, ao investir em uma parceria com a Vale, os japoneses marcam posição na África para garantir acesso a recursos naturais. Seguem caminho semelhante ao dos chineses.