ALTA NOS PREÇOS DEVE SER GRADUAL, DIZEM ANALISTAS Imprimir
Seg, 08 de Dezembro de 2014 00:00

Por Do Rio- Valor

A parceria da Vale na área de carvão com um sócio estratégico, possivelmente a japonesa Mitsui, levou mais tempo do que a mineradora brasileira imaginava. A previsão inicial da Vale era fechar o acordo em meados deste ano. Mas as más condições do mercado de carvão tornaram mais difíceis, para a Vale, capturar o valor pretendido na transação. Agora um acordo é esperado para o dia 17. Ao confirmarem a compra de uma fatia da atividade de carvão da Vale, os japoneses vão entrar no negócio com visão de longo prazo.

A curto prazo, as perspectivas do mercado de carvão metalúrgico, usado como insumo na siderurgia, não são otimistas. Um analista disse que poderá ocorrer uma mudança gradativa no setor, mas é difícil prever se haverá recuperação nos preços em 2015, hipótese pouco provável. O mercado poderia melhorar a partir de 2016.

Os preços do carvão metalúrgico no mercado chinês estão na faixa de US$ 120 por tonelada para o produto premium. A cotação é cerca de um terço do pico de US$ 360 por tonelada de 2011, quando os produtores viveram uma "bonança". O cenário foi resultado de prejuízos causados por chuvas na produção na Austrália, o grande produtor mundial, e por uma demanda maior do mercado, em especial da China. Mas depois desse "boom" o mercado recuou.

Mercado internacional de carvão metalúrgico é de 300 mi de toneladas, dos quais 6% devem fechar, incluindo Vale

Um especialista no setor disse não ver perspectivas de melhoria para 2015 e afirmou que, mesmo com cortes na produção, os preços do carvão metalúrgico não mudaram de patamar. Estimativas indicam que poderia haver redução entre 15 milhões e 20 milhões de toneladas por ano na capacidade de produção a partir de janeiro. A Vale vai contribuir com uma parcela importante desse volume, algo como 6 milhões de toneladas, com as paradas das minas australianas de Isaac Plains e Integra Coal. A empresa anunciou parada para manutenção desses dois complexos este ano. Outros produtores fecharam operações na Austrália e nos Estados Unidos.

Mas os cortes parecem ser insuficientes frente a um mercado com muita oferta. O mercado internacional de carvão metalúrgico é de 300 milhões de toneladas por ano. Um corte de 20 milhões de toneladas na capacidade de produção significa, portanto, redução de 6% na oferta no mercado internacional. Os grandes produtores australianos, com custo baixo, continuam a aumentar a produção com estratégia de diluir custos. Eles têm a seu favor, nos últimos meses, a desvalorização do dólar australiano em relação do dólar americano, o que os torna ainda mais competitivos. Os produtores menores na Austrália vivem o dilema de parar ou continuar a produzir uma vez que precisam arcar com custos fixos de transporte com ferrovias e portos (contratos de "takeorpay").

Outro risco para o mercado é a possibilidade de a China passar a exportar carvão metalúrgico em 2015. Um analista disse que o país faz importações "oportunistas" de carvão. O país importa quando os preços estão em baixa. "Quando o preço sobe muito no mercado internacional, eles saem [do mercado de importação] e dão estímulo para aumentar a produção doméstica." Com boas reservas, a China está perto da autossuficiência e produz para atender mais de 90% do carvão que precisa.